sexta-feira, abril 20, 2018

Apeteceu-me! :)



"Num único beijo saberás tudo aquilo que tenho calado"


Pablo Neruda



quarta-feira, abril 18, 2018

Cinema servido ao almoço

Não há fome que não dê em fartura de quando em vez.
Quis o acaso que os meus horários se organizassem para ontem e hoje ter umas horas de almoço mais prolongadas.
(não vale a pena ter inveja porque acabei por sair perto das 21h nos dois dias!)

E rumei ao cinema!
Ontem com "Madame"
Hoje com "Lady Bird"

Na verdade gostei dos dois!
A ver se tiverem oportunidade!






PS - Poderia escrever sobre o facto de hoje ter estado completamente sozinha na sala de cinema - mas fica para outro dia! - digo só que foi agradável a experiência!

sábado, abril 14, 2018

Amo o que vejo

A vista da minha primeira casa (onde estou agora temporariamente).
De que vou gostar para sempre!
Amo o que vejo porque deixarei 
   Qualquer dia de o ver. 
   Amo-o também porque é. 

No plácido intervalo em que me sinto, 
   Do amar, mais que ser, 
   Amo o haver tudo e a mim. 

Melhor me não dariam, se voltassem, 
   Os primitivos deuses, 
   Que também, nada sabem. 

Ricardo Reis, in "Odes" (Inédito) 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

quinta-feira, abril 12, 2018

Trago o mundo no banco de trás

E de repente, do banco de trás do carro, começa a ouvir-se a voz de um menino de 9 anos a cantar um poema de Camões com quase 500 anos, musicado por Zeca Afonso há quase 50.
E é tão bonito!
O poema, a cadência, e a voz do menino Boop.

(E é também nestes momentos que agradeço à escola onde está, que ensina tão mais do que o estipulado por directrizes ministeriais)




domingo, abril 08, 2018

Mais um

(Escrito como resposta a um dos desafios do campeonato de escrita criativa)




Havia na quinta uma alameda de árvores frondosas, que na primavera se enchiam de verde, folhas pequenas, que preguiçosamente escureciam e em câmara lenta cresciam e se deixavam ficar até ao Verão, e que no inverno permaneciam estoicamente despidas, com os seus braços de infinitos dedos, que pareciam donos dos segredos que a tanto custo tentava esquecer.
Eram esses ramos de um castanho acinzentado que invadiam os meus pesadelos naqueles dias em que me deixava vencer e me dirigia ao bar mais próximo e perdia a conta aos copos que bebia.
Invariavelmente chegava a casa sem saber como, e num não pensamento aterrava no sofá verde da sala.
O não pensamento.
Foi isso que comecei a chamar-lhe com o decorrer dos anos.
A vulnerabilidade que experimentava quando a minha cabeça desligava, e ficava sujeita a todo o tipo de recordação.
O pior não eram as lembranças na verdade. 
O pior era lembrar-me do que não cheguei a ver.
Nos piores dos meus pesadelos está o lago no fim da alameda das árvores nuas.
E no fundo do lago um emaranhado tufo de finos ramos, como se de um ventre mortífero prestes a parir o inominável se tratasse.
E eu sou chamado, seduzido, num misto de excitação e terror, aproximo-me da margem, quero domar as águas, possui-las, numa tensão sensorial que me confunde e me inebria. 
E é então que o vejo. O corpo, como um nado morto, a boiar na superfície do lago, e quando o corpo se vira acordo sempre.
Mas sei que no sonho o corpo não é o do João, é o meu.

Já bebi quatro copos hoje.
Já sei que o não pensamento se vai instalar.
Não tenho coragem de ir para casa
Peço mais um copo, se calhar se beber mais não serei capaz de sonhar.



quarta-feira, abril 04, 2018

Comunicar




Consegui organizar a minha semana para estar hoje com a prole ainda em férias de páscoa como é sabido.

Fomos ao NEWSMUSEUM, que ocupa o espaço do antigo museu do brinquedo em Sintra.
Gostamos mesmo muito! Pudemos ser repórteres de TV, locutores de radio, fazer jogos e viagens por um universo virtual - recomendo MESMO a visita.

Uma das salas é dedicada ao jornalismo de guerra. Tem excertos de reportagens, elabora sobre o papel e o poder dos órgãos de comunicação social, e da informação em si.
Às tantas deparei-me com o vídeo que aqui coloco.

Como partilhei o Mr Boop esteve agora 1 mês no Iraque (regressou este fim de semana e correu tudo muito bem, obrigada!), e antes disso andou por outros cantos esquecidos do mundo, Sudão do Sul, Congo...
Nunca foi por dever, mas sim por escolha, ou uma demanda interna se assim o quiserem. 
Mas sempre pudemos falar diariamente, uns minutos, poucos, de vídeo chamada, e tranquilizavamo-nos de parte a parte.

Comoveu-me ouvir estes homens.
Longe e incomunicáveis. 
E percebi o quão importante deve ter sido, para os próprios e para a família, vê-los e ouvi-los. Sabe-los vivos. 
Esquecemo-nos com demasiada facilidade o quão diferente era o mundo, o quão mais distantes estávamos. 

Olhem...
Se puderem, passem por lá!

domingo, abril 01, 2018

Traduz-te Em Força

Tenho amigos por esse mundo fora.
Acho que todos nós temos, não?
Emigrantes / imigrantes - que recebamos como gostaríamos de ser recebidos.
Achei este projecto muito interessante!


Portugal tem, incontornavelmente, uma enorme comunidade de imigrantes. De acordo com dados do PORDATA, em 2016, as comunidades com mais presença em Portugal são naturais do Brasil (79.569 mil), Cabo-Verde (36.193 mil), Ucrânia (34.428 mil), Roménia (30.429 mil) e China (21.953).
As mulheres imigrantes são comumente consideradas “as minorias das minorias”, no sentido em que, ao serem mulheres e ao viverem num país que não o seu, se encontram numa situação mais irregular e inconstante. Como agravante a este cenário, estas mulheres são ainda, não raras as vezes, confrontadas com preconceitos ou obstáculos, seja em termos legais, culturais, económicos, hospitalares, escolares, sociais entre outros.
A nível social, por exemplo, no livro Imigração e Etnicidade – Vivências e Trajectórias de Mulheres em Portugal (2015) Clara Almeida Santos analisa 210 peças de impressa portuguesa em oitos jornais nacionais e percebe que prostituição (124 peças), clandestinidade (50 peças) e crime (26) são os temas associado à comunidade de mulheres imigrantes.
Longe destes estereótipos, pretendemos que as mulheres imigrantes surjam associadas a uma imagem de enaltecimento feminino. Assim, nasce a campanha de sensibilização Traduz-te Em Força. O principal objetivo é transmitir uma mensagem de força às mulheres imigrantes, de levantamento espiritual, que lhes cause um sentimento de conforto e identificação. Acima de tudo – e tendo em consideração a visão estereotipada que estas mulheres enfrentam – queremos que esta campanha sirva como um impulso para uma atitude emancipada que as faça enfrentar todas as dificuldades inerentes ao facto de serem mulheres e imigrantes. Ao mesmo tempo, pretendemos que esta campanha sensibilize todas e todos os portugueses para esta temática, a fim de estimular uma sociedade com menos clivagens sociais e mais harmoniosa a nível multicultural.







sábado, março 31, 2018

sexta-feira, março 30, 2018

Também os Brancos Sabem Dançar



Estive "reclusa" durante pouco mais de 24 h.
Entre 4 paredes, sem me poder mexer muito, optei por um livro (deixando a TV e o iPhone descansarem por um dia! - até as minhas últimas postagens foram escritas antes e programadas para se auto-publicarem!)

O livro que levei:
"Também os Brancos Sabem Dançar"
de Kalaf Epalanga (Sim, esse mesmo - o dos Buraka Som Sistema!)
A sugestão da menina Calíope

Dividido em 3 partes.

A primeira a meu ver muito documental, um ensaio sobre as origens de estilos musicais, do Kizomba e do Kuduro, as suas influências, os seus contextos. Não era isto que esperava. Até porque não são realmente os meus estilos de eleição (longe disso).
A segunda deliciosa. E apresentou-me um lisboa que desconheço. De ritmos africanos. De histórias entrelaçadas. 
A terceira, um olhar muito bem conseguido de como o mundo olha para os emigrantes, e de como a fragilidade nos pertence a todos - mas é mais de uns do que de outros.
Ainda bem que não desisti a meio da primeira!
O que talvez tivesse acontecido se o contexto fosse outro

Mas li-o de uma assentada!


PS - Quando fui comprar não havia nenhum do Ondjaki - mas ficou na minha lista!  

quinta-feira, março 29, 2018

Se a minha vida fosse outra...

... iria seguramente a mais concertos!


(...but then again...
há músicas que me doem e eu nem sei bem porquê.
Fazem um eco cá dentro, que me aperta o peito e me sufoca.
Não me passam pelo pensamento nem preciso atentar à letra.
sinto-as só. )

quarta-feira, março 28, 2018

Pintar

(Mais um texto escrito neste contexto)



Sentou-se num dos cafés por baixo das grandes arcadas que envolviam praça.
Não tinha o hábito de viajar assim sozinho. Um riso discreto assome-lhe aos lábios misturado com o sabor do vinho quente e frutado ao evocar o momento em que percebeu que era livre para o fazer.

Tem sessenta anos. E um punhado de mulheres que amou.
Inevitavelmente evoca-as na sua mente, uma por uma, demoradamente.
Se soubesse pintar tinha-as desenhado, a cada uma, com traços vagos pincelados a óleo na tela branca. Teria guardado de cada uma os contornos. Imortalizado as formas. Teria aprisionado com cor e textura os seus corpos nus. Assim as horas quentes, de profunda entrega, sobrepor-se-iam sempre.
Ensaia na sua cabeça o movimento do pincel, e o corpo despudoradamente solto depois do amor a renascer na tela e a pertencer-lhe para sempre.
A curva dos seios, o ventre, o redondo das nádegas.
Tê-las-ia guardado a todas se soubesse.


Imagem encontrada por aí

Começa a chover.

As cidades são bonitas quando chove, as pessoas recolhem-se e pode-se olhar para as ruas, avenidas, praças, com a mesma verdade despida. Como se revelassem a sua intimidade, sem maquilhagem, entregues.
Atenta aos sons e aos cheiros, e às tonalidades da pedra das lajes da praça que se juntam a ele neste mundo sonhado de amores pintados.

E como se nascesse do seu próprio mundo etéreo, repara na mulher que abraça a chuva no meio da praça, sem receio algum, como que embalada pela água que lhe molda a roupa no corpo, ensaia uma dança lenta e molhada, numa comunhão desassombrada, algo insolente, e tão alheia aos cânones.

A imagem dela sugere-lhe traços numa tela em branco. Levanta-se e abraça a mesma chuva que ela, e ensaia uma dança, igualmente insolente e desassombrada. E sabe que mais uma vez vai desejar saber pintar.


segunda-feira, março 26, 2018

Levezinho



Acabado de ler ontem.
É daqueles livros que se lê num instantinho, porque não faz pensar grande coisa... Não faz sentir grande coisa.... E a linguagem é simples e directa.
A história de 5 adolescentes e de um crime.
E de como eles reconstituem o que aconteceu 30 anos depois já nos seus 40's.
Best seller do momento no seu género - percebo porquê... por ser acessível a qualquer cabeça! ;)

Era o que me apetecia!
Pronto! Está lido! 

Venha o próximo!

quarta-feira, março 21, 2018

No dia da poesia... (agora sim!)

Não encontrei o poema em Português e tenho muita pena.

Porque aborda um tema sobre o qual me tenho debruçado, ensarilhado, embrulhado, desesperado, confundido... e um salva-vidas seria uma benção.
Fala sobre o que nos salva.
Do mundo, da solidão, e de nós mesmos.

(Se alguém tiver acesso a uma tradução que me a faça chegar por favor)


EL SALVAVIDAS

(Javier Velaza)


No es inútil amarse,
finalmente.
Lo mismo que amaestrar serpientes, nos exige
técnica refinada y perder la vergüenza
de actuar frente al mundo en taparrabos.
Y unos nervios de acero.
Pero amar es oficio
saludable también: su liturgia apacigua
el ocio que enajena -como supo Catulo-
y perdió a las ciudades más felices.
Bajo la cuerda floja dispone -no pidáis
una red, porque tal no es posible- otra cuerda,
tan floja, pero última
tan inútil a veces,
bajo la cual no hay nada.
Y entreabre
ventanas que te oreen la cólera y exhiban
a tu noche otras noches diferentes, y así
sólo el amor nos salva a fin de cuentas
del peligro peor que se conoce:
ser sólo -y nada más- nosotros mismos.
Por eso,
ahora que está ya dicho todo y tengo
un sitio en el país de la blasfemia,
ahora que este dolor de hacer palabra
con el propio dolor
traspasa los umbrales
del miedo,
necesito de tu amor como analgésico;
que vengas con tus besos de morfina a sedarme,
y rodees mi talle con tus brazos
haciendo un salvavidas, para impedir que me hunda
la plomada letal de la tristeza;
que me pongas vestidos de esperanza -ya casi
no recordaba una palabra así-,
aunque me queden grandes como a un niño
la camisa más grande de su padre;
que administres mi olvido y el don de la inconsciencia;
que me albergues de mí -mi enemigo peor
y más tenaz-, que me hagas un socaire,
aunque sea mentira
-porque todos es mentira
y la tuya es piadosa-;
que me tapes los ojos
y digas ya pasó, ya pasó, ya pasó
-aunque nada se pase, porque nada se pasa-,
ya pasó,
ya pasó,
ya pasó,
ya pasó.
Y si nada nos libra de la muerte,
al menos que el amor nos salve de la vida.

No dia da poesia...

.... fiz a minha primeira aula de Kickboxing!
AHAHAHAH


O que eu me diverti!
:))










segunda-feira, março 19, 2018

A sociedade dos sonhadores involuntários



Livro do  José Eduardo Agualusa terminado hoje.
Numa altura em que os meus próprios sonhos me têm perturbado, sem dar por isso peguei num livro que nos mergulha no universo onírico.
Ou teria mergulhado, se eu o tivesse permitido... Mas não deixei! Mantive-me à berma da narrativa, não me deixando embrenhar pelas ideias e tornando a leitura mais superficial.
O Agualusa presta-se a esta leitura leve, se for esse o desejo do leitor. E se há coisa que eu não preciso agora é de "over thinking" sobre os meus sonhos.

Ainda não sei o que vou ler a seguir!

PS - seja como for fala-nos do mundo onírico numa Angola cuja política não se presta a sonhos.